Quando uma proposta de empréstimo aparece com taxa melhor do que a do seu banco, sem que você tenha histórico lá, provavelmente há compartilhamento de dados por trás.
O sistema que permite isso é o Open Finance, do Banco Central. Ele saiu da fase de cronograma e virou infraestrutura corrente. A seguir, o que ele faz e o que você autoriza ao usar.
O que é o Open Finance?
Um sistema financeiro aberto: o seu histórico bancário pertence a você e pode ser enviado, com a sua autorização, de uma instituição para outra.
Tecnicamente isso acontece por APIs padronizadas, que funcionam como tomadas entre sistemas. O efeito prático é que o banco novo consegue enxergar que você paga em dia, sem depender de o banco antigo querer contar.
Por que mudou de nome?
Começou como Open Banking, em 2021, restrito a dados bancários, e passou a se chamar Open Finance quando o escopo se ampliou para investimento, seguro, previdência complementar aberta, câmbio e conta-salário.
As quatro fases previstas no cronograma original foram concluídas. Textos que ainda descrevem “fase 4 começa em dezembro” estão falando de 2021.
Que dados podem ser compartilhados?
Três grupos. Cadastrais, como nome, CPF, telefone e endereço. Transacionais, como movimentação de conta, fatura de cartão e perfil de gasto. E de produtos contratados, como empréstimo, financiamento, investimento e seguro.
Você escolhe quais grupos entram em cada autorização. Não é tudo ou nada.
Para que isso serve na prática?
Para três coisas concretas.
Portabilidade de crédito, levando o seu histórico para negociar taxa menor em outra instituição. Vale conferir antes a taxa média por modalidade que o Banco Central publica, para saber se a proposta é boa.
Visão consolidada, com aplicativos que reúnem contas de bancos diferentes numa tela só.
Análise de crédito para quem tem pouco histórico formal, porque comprovar entrada recorrente por dados de conta abre porta que contracheque não abre.
Quem mais ganha com isso é quem tem histórico em um lugar só e paga caro por falta de comparação.
O que exatamente você autoriza?
Cada compartilhamento tem prazo, escopo e finalidade declarados na tela de consentimento. A instituição que recebe só pode usar os dados para o fim autorizado.
Leia o prazo. Autorização com validade longa continua valendo depois que você esqueceu dela.
E os golpes?
O Open Finance não transfere dinheiro por conta própria e nenhuma instituição liga pedindo senha para “ativar” o compartilhamento. O pedido de autorização acontece dentro do aplicativo da instituição que você já usa.
Ligação, SMS ou link pedindo dado para habilitar Open Finance é tentativa de fraude.
Como cancelar uma autorização?
No próprio aplicativo, a qualquer momento, sem justificativa. As instituições são obrigadas a manter uma área de gestão de consentimentos, onde aparecem os compartilhamentos ativos, o prazo de cada um e o botão de revogar.
Vale revisar essa lista uma vez por ano. Autorização dada para testar um aplicativo costuma continuar ativa muito depois do teste.
