Como as dívidas dos colaboradores afetam a produtividade e a saúde mental da equipe

Equipe Barkus
Time editorial
10 min
|
September 12, 2022
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Uma pessoa com dívida vencida não deixa o assunto na portaria ao entrar no trabalho. A ligação de cobrança chega no horário comercial, a renegociação também, e a conta de qual boleto pagar primeiro é refeita várias vezes por semana.

Em agosto de 2026, 82% das famílias brasileiras tinham dívidas a vencer, segundo a Peic, da CNC. A seguir, o que isso ocupa do expediente e até onde a empresa alcança.

O que a dívida ocupa dentro do expediente?

Tempo e atenção, nessa ordem. Ligar para credor, responder cobrança, comparar proposta de renegociação e montar a fila de pagamento do mês são tarefas que acontecem em horário comercial porque é quando o outro lado atende.

A atenção é o custo maior. Uma decisão financeira em aberto fica rodando em segundo plano e disputa espaço com o trabalho que está na mesa.

O que as pesquisas mediram?

Um levantamento do Serasa divulgado em 2021 apontou que 76% dos brasileiros já tiveram problemas de concentração no trabalho por causa de dívidas, e 85% relataram insônia ou dificuldade para dormir pelo mesmo motivo.

Uma pesquisa da Fundação Instituto de Administração, divulgada em 2022, encontrou mais de 57% dos trabalhadores com dívidas que afetam o orçamento e mais de 5% com dívidas que descreveram como fora de controle.

São dados de autorrelato, coletados há alguns anos, e mostram associação entre endividamento e piora de concentração e sono. A relação entre dificuldade financeira e saúde mental é documentada na literatura, e nenhum desses números estabelece que a dívida sozinha produza um diagnóstico.

Por que isso chega à empresa como falta, e não como dívida?

Porque ninguém avisa o gestor que faltou para resolver boleto. Chega como atraso de entrega, ausência, queda de ritmo, pedido de adiantamento, saída para outra vaga com salário um pouco maior.

O indicador que a empresa enxerga é absenteísmo e rotatividade. A causa que produz parte desses números não aparece em nenhum relatório de RH.

O que a empresa consegue fazer?

Três coisas concretas.

Trocar dívida cara por dívida barata, por meio de consignado em parceria com instituição financeira. “As empresas podem emprestar dinheiro e, se possível, ajudar a fazer a renegociação dessa dívida junto ao credor dessa pessoa”, disse Filipe Talamoni Fonoff, pesquisador da FIA, em entrevista ao portal Suno em 2022.

Oferecer informação sobre renegociação e ordem de pagamento, dentro do expediente, porque programa fora da jornada alcança quem tem tempo sobrando.

Revisar os próprios benefícios que empurram para o crédito caro, começando por antecipação salarial com taxa alta.

E o que ela não consegue fazer?

Substituir renda. Quando o orçamento está negativo por insuficiência, e não por organização, palestra não fecha a conta.

Programa de saúde financeira ajuda a decidir melhor dentro da renda que existe. A faixa salarial continua sendo decisão de gestão.

Leia também

Índice

O que ocupa o expediente; O que as pesquisas medem; Aparece como falta; O que a empresa faz; O limite da empresa

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