Como precificar artesanato: material, hora e venda

Equipe Barkus
Time editorial
10 min
|
May 25, 2018
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A primeira peça vendida costuma sair por um valor escolhido de cabeça, comparando com o que a vizinha cobra ou com o que parece caro demais para pedir. A conta aparece depois, quando a encomenda grande chega e o dinheiro que entrou não cobre a reposição do material.

O preço dos insumos se move junto com a inflação: o IPCA medido pelo IBGE fechou agosto de 2026 em -0,32% no mês e 4,22% em doze meses. Um preço definido uma vez e mantido por um ano inteiro convive com essa variação sem registrar nada. O caminho abaixo separa o preço em três partes que podem ser medidas.

Quanto custa o material de cada peça de artesanato?

A conta começa pelo lote. Base, tinta, tecido e cola são comprados em quantidade, então o valor por peça sai de uma divisão.

Em um exemplo com números redondos: um lote de material que custou R$ 96 e rendeu 12 peças deixou R$ 8 de material em cada peça. A embalagem, a etiqueta e a fita entram nessa mesma soma, porque saem do mesmo bolso e vão junto com o produto.

Sobra material do lote com frequência, e a tentação é tratar a sobra como lucro. A sobra é estoque: ela vira peça no mês seguinte e já está paga. Isso melhora o caixa do mês, enquanto o custo por peça segue o mesmo.

Como calcular o valor da hora de trabalho?

A hora de trabalho sai de duas decisões suas: quanto você quer receber por mês por esse trabalho e quantas horas por mês você consegue produzir.

Seguindo o exemplo: quem quer receber R$ 2.000 por mês e consegue dedicar 80 horas chega a R$ 25 por hora. Uma peça que leva 20 minutos de trabalho ativo carrega R$ 8,33 de mão de obra.

Preparo, limpeza, atendimento ao cliente e embalagem fazem parte do trabalho ativo e contam nessa soma. Tempo de secagem ou de forno, em que você faz outra coisa, fica fora.

Que custos fixos entram no preço?

Alguns gastos acontecem mesmo em um mês sem nenhuma venda: luz, gás, internet, transporte até a feira, mensalidade de plataforma, manutenção de máquina. Eles se distribuem pelo volume produzido.

No exemplo, R$ 300 de custo fixo no mês divididos por 120 peças produzidas dão R$ 2,50 por peça. Esse valor sobe quando o volume cai, e é por isso que um mês fraco encarece cada unidade.

A taxa cobrada por transação em cartão ou carteira digital também entra aqui, e sai da sua parte do dinheiro. Ela varia por máquina, por bandeira e pelo número de parcelas, então cabe consultar o contrato antes de fechar o preço.

Como chegar ao preço de venda a partir do custo?

Somando as três partes do exemplo, o custo da peça é R$ 18,83: R$ 8 de material, R$ 8,33 de hora de trabalho e R$ 2,50 de custo fixo. Esse número é o piso, o valor em que o trabalho se paga e nada mais.

O preço de venda é o custo mais a margem que financia a continuidade: reposição de ferramenta, compra maior de material, imprevisto. Uma margem de 30% sobre o custo levaria a peça do exemplo a R$ 24,48, que na prática vira R$ 25.

Uma peça vendida abaixo da soma de material, hora e rateio financia o cliente com o seu dinheiro. Nesse caso, vender mais aumenta o prejuízo.

Onde vender artesanato feito em casa?

Cada canal cobra de um jeito, e o mesmo produto pode ter preços diferentes em cada um.

  • Encomenda direta, por aplicativo de mensagem ou rede social: sem comissão, com o seu tempo de atendimento e de divulgação dentro da conta.
  • Feira e evento: taxa de espaço paga antes, então o volume vendido no dia decide se o resultado fecha no positivo.
  • Loja online própria ou marketplace: comissão por venda, custo de frete e tempo de cadastro e de foto de cada item.
  • Consignado em loja física: a loja fica com um percentual do preço final e o pagamento chega depois da venda, o que alonga o prazo de retorno do material.

O percentual da loja e a comissão da plataforma entram no preço antes do combinado. Quando entram depois, saem da sua margem.

Quando o preço precisa ser revisto?

Três situações pedem revisão: o material subiu, o tempo de produção aumentou porque a peça ganhou detalhe, ou o volume caiu e o rateio do custo fixo subiu.

Guardar a nota de cada compra de material e anotar o tempo gasto em cada peça durante um mês dá base para essa revisão. Sem esse registro, o reajuste sai por sensação e costuma ficar abaixo do que a conta pedia.

Com material, hora e custo fixo separados, você responde a um pedido de desconto sabendo de onde ele sai, e decide se a encomenda compensa pelo volume ou se convém recusar.

Leia também

Índice

Custo do material; Hora de trabalho; Custos fixos; Preço de venda; Canais de venda; Revisão de preço

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Diretor executivo da Barkus, graduado em Administração pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e mestre em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ

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