Onde a economia cabe: gasto contratado, variável e eventual

Equipe Barkus
Time editorial
10 min
|
March 10, 2023
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Você decidiu guardar R$ 300 por mês e passou quatro semanas cortando café na rua, corrida de aplicativo e entrega em casa. No fim do mês sobraram R$ 40. O corte aconteceu na parte do orçamento que responde por pouco, enquanto a parte grande seguiu igual.

Na média brasileira, habitação respondeu por 36,6% da despesa de consumo das famílias e alimentação por 17,5%, segundo a Pesquisa de Orçamentos Familiares 2017-2018, do IBGE, edição mais recente publicada. O endereço em que a economia é procurada define o tamanho do resultado.

Quais são os três tipos de gasto do mês?

Contratado, variável e eventual. A diferença entre eles está em quem define o valor e quando.

  • Contratado: valor e data definidos em contrato. Aluguel, condomínio, mensalidade, parcela, assinatura.
  • Variável: valor decidido a cada compra e sensível a preço. Mercado, transporte, farmácia, lazer.
  • Eventual: chega uma ou duas vezes no ano, com valor alto. IPVA, seguro, matrícula, viagem.

Cada tipo aceita uma economia de tamanho e de prazo diferentes. Tratar os três como um só é o que produz a meta que não se cumpre.

O que dá para mexer no gasto contratado?

Ele fica igual dentro do mês, e muda de verdade quando muda. Uma renegociação de aluguel, a troca de plano de telefonia ou o cancelamento de uma assinatura valem todos os meses do ano seguinte.

O trabalho aqui é pontual e o efeito é recorrente. Reduzir R$ 80 numa mensalidade vale R$ 960 em doze meses, sem exigir nenhuma decisão nova depois da primeira. O gasto variável exige atenção toda semana para render o mesmo valor.

Nessa parte do orçamento entram também as tarifas definidas por regra pública, como a Tarifa Social de Energia Elétrica, que depende de cadastro.

Como o gasto variável responde a preço?

O gasto variável se move por dois caminhos: quantidade e preço por unidade. Reduzir quantidade aparece rápido e tem limite baixo, porque o consumo essencial comprime pouco. Trocar por item equivalente mais barato mantém a quantidade e muda o valor.

É aqui que a substituição funciona melhor, e o caso mais concreto é a compra de mercado, tratada em como o preço do supermercado se forma.

Por que o gasto eventual derruba a economia do ano?

Porque ele não aparece no mês em que você faz a conta. Doze meses de sobra de R$ 200 somam R$ 2.400, e um IPVA mais uma matrícula podem consumir tudo em janeiro.

O tratamento é provisionar: levantar os eventuais do ano, dividir por doze e tratar essa fração como gasto contratado. O texto sobre gastos anuais concentrados traz o levantamento, e transformar objetivo em valor mensal usa a mesma aritmética pelo lado da meta.

Sobra guardada sem provisão para o gasto eventual volta a sair no primeiro mês de despesa concentrada. No fim do ano, o saldo fica parecido com o de quem não guardou nada.

Quanto rende o dinheiro guardado hoje?

A meta da Selic está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro de 2026, e aplicações ligadas ao CDI acompanham essa referência de perto. Isso muda duas decisões.

A primeira: dinheiro em conta sem remuneração perde para a inflação, que ficou em 4,22% nos doze meses até agosto de 2026, segundo o IPCA do IBGE. A segunda: com juro nesse nível, quitar dívida de juro alto entrega retorno maior e mais garantido do que as aplicações disponíveis para pessoa física.

Quando economizar deixa de resolver?

Quando a soma do essencial já passa da renda. Nesse caso, a sobra que a economia deveria produzir não existe em nenhum lugar do orçamento, e a diferença precisa vir de prazo, de renegociação, de benefício ou de renda adicional. Em agosto de 2026, o pagamento de dívidas comprometia 29,5% da renda familiar na média nacional, segundo a CNC, o que coloca muita gente nesse ponto. O caminho está em o que fazer quando o orçamento não fecha.

Fora desse caso, o resultado de doze meses depende de acertar o endereço: uma revisão de contrato por trimestre, substituição no gasto variável toda semana e provisão mensal para o eventual.

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Índice

Tipos de gasto; Gasto contratado; Gasto variável; Gasto eventual; Rendimento e Selic; Limite da economia

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Diretor executivo da Barkus, graduado em Administração pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e mestre em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ

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