O que fazer quando o orçamento não fecha

Equipe Barkus
Time editorial
10 min
|
May 24, 2018
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O orçamento está montado, as categorias estão separadas e os números estão atualizados. A conta não fecha: o total dos gastos passa do que entra, e a diferença reaparece no mês seguinte no mesmo lugar.

Esse é o desfecho mais comum no país. Em agosto de 2026, 82% das famílias brasileiras tinham dívida a vencer, e o pagamento dessas dívidas comprometia 29,5% da renda familiar, segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor, da Confederação Nacional do Comércio (CNC). Quase um terço da renda sai antes de qualquer decisão do mês.

Por que o orçamento não fecha?

Três causas diferentes produzem o mesmo resultado na planilha, e o conserto de cada uma é outro.

  • Desencontro de calendário: o dinheiro existe no mês, e chega depois do vencimento.
  • Gasto concentrado fora do mês: IPVA, matrícula e seguro caem num mês e desorganizam os outros.
  • Insuficiência de renda: a soma do essencial já passa do que entra, em qualquer mês.

Separar as três é o primeiro trabalho. Prazo se resolve com data, gasto concentrado se resolve com provisão mensal, e insuficiência de renda fica de fora dos dois.

Como saber se o problema é prazo ou renda?

Some o essencial do mês: moradia, alimentação no domicílio, transporte para trabalhar, saúde e educação. Compare com a renda líquida.

Se o essencial cabe e a conta ainda estoura, o desequilíbrio está no calendário ou no tamanho das parcelas, e as duas coisas têm saída dentro do orçamento. Se o essencial já não cabe, o que existe é falta de renda. Aí o caminho passa por renegociação de prazo, por benefício a que você tenha direito ou por aumento de entrada. Ajuste de consumo não cobre essa diferença.

Qual dívida entra primeiro na fila?

A ordem segue o custo, e o custo está no contrato. Rotativo do cartão e cheque especial cobram as taxas mais altas do crédito para pessoa física, e por isso crescem mais rápido que as outras dívidas.

Desde 3 de janeiro de 2024, a Lei 14.690 limita os juros e encargos do rotativo e do parcelamento de fatura a 100% do valor original que deixou de ser pago, conforme o Banco Central. O teto impede que a dívida cresça sem limite em encargos, e ela ainda pode dobrar.

Na prática, a fila fica assim: primeiro o de juro mais alto, depois o que tem garantia ligada a algo essencial, como a moradia, e por último o de juro baixo e prazo longo.

O que a Selic em 13,75% muda na sua conta?

A meta da Selic está em 13,75% ao ano desde 17 de setembro de 2026. Ela é a referência do custo do dinheiro no país, e aparece nos dois lados do seu orçamento.

No lado da dívida, ela empurra para cima o custo de crédito novo, de parcelamento e de acordo de renegociação. No lado da reserva, ela puxa para cima o rendimento de aplicação ligada ao CDI, a taxa média dos empréstimos entre bancos, o que significa que dinheiro parado em conta sem remuneração perde valor mais rápido do que em ano de juro baixo.

Com a Selic em 13,75%, quitar dívida de juro alto entrega mais do que as aplicações disponíveis para pessoa física. O juro que você deixa de pagar é certo, e o rendimento é estimativa.

Onde pedir renegociação?

O canal de atendimento do próprio credor é o primeiro, e a conversa rende mais com um número na mão: o valor que sobra por mês depois do essencial. Esse é o valor de parcela que você pode assumir, e ele vem do orçamento.

Quando o credor não responde ou a proposta não cabe, existem os canais públicos e gratuitos: o Procon do seu estado e a plataforma consumidor.gov.br. O registro formal também serve como prova de tentativa de acordo, se a cobrança avançar.

O que muda quando a renda não cobre o essencial?

Esse é o caso em que a maior parte do conteúdo de finanças pessoais para de funcionar, porque ele pressupõe uma sobra que não existe. Com 29,5% da renda familiar comprometida com dívida na média nacional em agosto de 2026, muita gente está nesse ponto.

O que continua valendo aqui é pequeno e concreto: proteger o pagamento do que mantém moradia, alimentação e transporte para trabalhar; suspender contrato que não seja essencial; documentar cada tentativa de renegociação; e verificar benefícios e tarifas sociais a que você tenha direito, como a Tarifa Social de Energia Elétrica. A organização do orçamento mostra, com número, o tamanho do que falta, e é com esse número que a conversa com credor e com órgão público avança.

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Índice

Causas do desequilíbrio; Prazo ou renda; Fila das dívidas; Selic e crédito; Renegociação; Renda insuficiente

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Diretor executivo da Barkus, graduado em Administração pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e mestre em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ

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