Por onde começar meu planejamento financeiro?

Equipe Barkus
Time editorial
10 min
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May 16, 2022
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Um orçamento doméstico raramente fecha na primeira tentativa, e a maior parte da diferença aparece em contas que já estavam contratadas antes do mês começar.

Em agosto de 2026, 82% das famílias brasileiras tinham dívidas a vencer, o sétimo mês seguido no patamar recorde, e o comprometimento médio da renda com dívida ficou em 29,5%, segundo a Peic, da CNC. A seguir, os quatro passos que a Barkus usa para transformar esse retrato em decisão.

O que é a metodologia ERICA?

Pense em como funciona uma ida ao mercado. Você faz a lista antes de sair, guarda a nota na volta, arruma as compras nos armários certos e, no fim, percebe o que ficou faltando para a semana.

A ERICA é esse mesmo movimento aplicado ao dinheiro do mês: estimar, registrar, categorizar e avaliar. Cada passo produz uma informação que o passo seguinte usa.

Nenhum dos quatro passos funciona sozinho. A estimativa sem o registro vira chute, e o registro sem a comparação vira lista de gastos que ninguém lê.

Por que começar estimando, antes de olhar o extrato?

A estimativa é o palpite: quanto você acha que vai gastar em cada área no mês, escrito antes de conferir qualquer coisa. Moradia, alimentação, transporte, saúde, lazer, dívidas.

O extrato entra depois de propósito. Começar por ele substitui a sua leitura pela leitura do banco, e some com a informação mais útil deste exercício, que é a distância entre o que você imaginava e o que aconteceu.

Papel, bloco de notas do celular ou planilha dão conta. O instrumento importa menos que ter o número escrito antes.

Como registrar sem virar um segundo emprego?

Registrar é anotar o que saiu, com data, valor e uma palavra de descrição. Nada além disso.

Duas rotinas funcionam. Anotar na hora, logo depois de pagar, ou separar dez minutos no fim da semana e percorrer o extrato e a fatura. A segunda costuma sobreviver mais tempo, porque depende de um momento marcado e não de lembrar.

Um registro simples que você mantém por três meses vale mais que um sistema detalhado que você abandona na segunda semana.

Para que serve categorizar?

Uma lista de sessenta lançamentos soltos não responde a nenhuma pergunta. A mesma lista agrupada em seis ou sete categorias responde a várias.

Aluguel, luz, água, gás e internet entram em moradia. Mercado, feira, delivery e restaurante entram em alimentação. Parcela de cartão, empréstimo e carnê entram em dívidas, separados do consumo do mês.

Essa última separação é a que mais muda o diagnóstico. Juro pago aparece como categoria própria, e aí dá para ver quanto do mês já estava comprometido antes de qualquer escolha sua.

O que a comparação entre estimativa e realidade mostra?

Com os dois números lado a lado, cada categoria conta uma história diferente. Uma estimativa de R$ 200 em saúde contra um gasto real de R$ 258 aponta um custo recorrente que ficou fora do radar. Uma estimativa de R$ 300 em lazer contra R$ 120 aponta o contrário.

A diferença em si diz pouco. O que ela abre é a pergunta seguinte: esse gasto é contratado, variável ou eventual? Contratado você renegocia, variável você ajusta, eventual você provisiona.

E quando o orçamento não fecha?

Acontece, e com frequência. Na mesma pesquisa da CNC, 19,2% das famílias comprometem mais da metade da renda com dívida, e o endividamento chega a 85,1% nas famílias que recebem até três salários mínimos, contra 72,3% nas que recebem acima de dez.

A diferença entre essas duas faixas tem mais a ver com preço do crédito e com margem de renda do que com organização doméstica. Quem tem menos margem recorre mais ao crédito caro para cobrir o básico, e o juro come a parte do orçamento que sobraria para planejar.

Quando o resultado dos quatro passos é um número negativo que não se resolve cortando categoria, o passo seguinte muda. Sai do ajuste de gasto e entra na renegociação das dívidas, começando pela de maior taxa.

O planejamento segue valendo, porque é ele que mostra qual dívida atacar primeiro e quanto cabe na parcela.

Quanto tempo isso leva até virar decisão?

Um ciclo completo leva um mês, e é só no segundo que a comparação começa a ficar estável. No terceiro você já enxerga sazonalidade, os meses de material escolar, de IPVA, de festa.

Com três ciclos na mão, você decide com base em padrão, e não em impressão do último mês.

Leia também

Índice

A metodologia; Estimar; Registrar; Categorizar; Avaliar; Orçamento no vermelho; Tempo até o resultado

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Diretor executivo da Barkus, graduado em Administração pela Universidade Federal do Rio de Janeiro – UFRJ e mestre em Engenharia de Produção pela COPPE/UFRJ

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