A conta de poupança costuma ser a primeira que alguém abre, muitas vezes junto com a conta corrente, e fica ali recebendo o que sobra no fim do mês. O extrato mostra um valor creditado sempre na mesma data, e o valor parece pequeno demais para o tempo que o dinheiro ficou guardado.
Em agosto de 2026, os saques da caderneta superaram os depósitos em R$ 10,572 bilhões, o que levou a saída líquida do ano a R$ 57,1 bilhões, segundo o Relatório de poupança do Banco Central divulgado em 10 de setembro de 2026. O estoque total na caderneta fechou o mês em R$ 1,016 trilhão, pela mesma fonte, então o volume guardado segue alto enquanto o saldo cai mês a mês.
Como a poupança calcula o rendimento hoje?
A regra em vigor depende da meta da taxa Selic e tem dois cenários. Enquanto a meta anual estiver acima de 8,5%, a poupança rende 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR). Quando a meta fica igual ou abaixo de 8,5%, o rendimento passa a ser 70% da meta anual, mensalizada, mais a TR. A regra está publicada na página de remuneração dos depósitos de poupança do Banco Central e vale para depósitos feitos a partir de 4 de maio de 2012.
Com a meta Selic em 13,75% ao ano desde 17 de setembro de 2026, o cenário aplicável é o primeiro. Para os depósitos cujo período de rendimento começou em 17 de setembro de 2026, a TR do período foi de 0,1687% e a remuneração total do mês ficou em 0,6695%, conforme a mesma fonte.
Por que a data de aniversário decide o seu rendimento?
O rendimento da poupança é creditado uma vez por mês, na data de aniversário da conta, que é o dia em que o depósito foi feito. Cada depósito carrega sua própria data de aniversário.
O cálculo considera o menor saldo do período de rendimento, e o crédito acontece quando o ciclo se completa. Um valor que entra no dia 20 e é sacado no dia 5 do mês seguinte sai sem rendimento sobre esse tempo.
Quem movimenta a poupança com frequência recebe rendimento apenas sobre o piso que o saldo tocou no ciclo, ainda que o saldo médio do mês tenha sido bem maior.
O que é a TR e quanto ela acrescenta?
A Taxa Referencial é calculada pelo Banco Central a partir da remuneração dos títulos públicos negociados entre instituições financeiras. Ela funciona como um acréscimo variável em cima dos 0,5% mensais.
Em vários períodos recentes a TR ficou zerada, e a poupança rendeu exatamente 0,5% ao mês. Com a Selic em patamar alto, a TR voltou a somar algo ao rendimento, como mostra o valor de 0,1687% no período iniciado em 17 de setembro de 2026.
Qual imposto incide sobre a poupança?
Para pessoa física, o rendimento da poupança fica fora do Imposto de Renda e fora do IOF, em qualquer prazo de resgate. Nenhuma taxa de administração ou de custódia é cobrada pela instituição.
Essa isenção é o que torna a comparação com outros títulos menos direta. Um CDB paga imposto sobre o rendimento em alíquota que vai de 22,5% a 15% conforme o prazo, pela tabela de tributação de 2026 da Receita Federal, e a comparação honesta usa o valor que sobra depois do desconto.
Quanto a garantia do FGC cobre na poupança?
Depósitos de poupança entram na garantia do Fundo Garantidor de Créditos. Pelo regulamento do fundo, a cobertura é de até R$ 250 mil por CPF em cada instituição ou conglomerado financeiro, com teto de R$ 1 milhão a cada quatro anos.
A garantia soma todos os produtos elegíveis na mesma instituição. Quem tem poupança e CDB no mesmo banco está coberto até R$ 250 mil considerando os dois juntos.
Quando a poupança perde para a inflação?
O rendimento nominal da caderneta é sempre positivo. O que define o ganho real é a comparação entre esse rendimento acumulado e a variação do IPCA, o índice oficial de inflação medido pelo IBGE, no mesmo período.
Quando a inflação acumulada em 12 meses supera o rendimento da poupança nos mesmos 12 meses, o valor guardado compra menos do que comprava antes, ainda que o saldo na tela tenha subido. Esse cálculo muda a cada mês e depende do período que você considerar, então ele precisa ser refeito com os dados do mês em que a decisão está sendo tomada.
Para que a poupança continua servindo?
A caderneta reúne quatro condições que nem todo título de renda fixa oferece ao mesmo tempo.
- Resgate a qualquer momento, sem carência e sem perda do valor aplicado.
- Abertura sem valor mínimo e sem exigência de conta corrente em algumas instituições.
- Isenção de imposto e ausência de taxas.
- Garantia do FGC dentro do limite por CPF e por conglomerado.
Essas condições explicam por que a poupança funciona bem para o dinheiro que pode ser chamado de volta em qualquer dia. Para prazos que você consegue respeitar, a comparação vale a pena com o Tesouro Direto e com os títulos bancários, e o que muda entre eles está descrito no texto sobre renda fixa.
