O Twitter foi vendido. O que isso significa?

  • 28 de abril de 2022
  • Por Bruno Sousa

A venda de maior valor na história das redes sociais foi um dos temas mais falados no mundo essa semana. Depois de já ser um dos acionistas da empresa e tecer repetidas criticas ao Twitter, o bilionário Elon Musk fez uma proposta no valor de US$ 44 bilhões (cerca de R$ 214 bilhões). 

 

Com a iminente venda anunciada, a rede social se dividiu. O bilionário disse ter comprado a rede para transformá-la em uma plataforma de liberdade de expressão em todo o mundo. Mas muitas pessoas acreditam que isso irá gerar mais intolerância na rede e transformá-la em uma “terra de ninguém”, onde violência, fake news e discursos de ódio serão permitidos.

Uma outra parte do público comemorou a venda, pois acredita na “liberdade” prometida por Musk. 

Preparamos esse texto analisando a grande venda e o que isso pode desencadear.

Elon Musk é o homem mais rico do mundo, com patrimônio avaliado em US$ 273 bilhões (R$ 1,3 trilhão), segundo ranking da Bloomberg. Ele formalizou ontem (25) a compra de 100% do Twitter após algumas semanas de negociações. A estimativa é de que o valor total da operação seja de US$ 44 bilhões (cerca de R$ 214 bilhões), já que o empresário pagará US$ 54,20 por ação (cerca de R$ 264).

 

Engana-se quem pensa que virá do próprio patrimônio de Musk todo o valor necessário para realizar a transação. “Apenas” US$ 21 bilhões (R$ 102 bilhões) virão diretamente de seu bolso, o resto do dinheiro, mais especificamente US$ 25,5 bilhões (R$ 124 bilhões) virão de um empréstimo junto ao banco Morgan Stanley. 

 

Com a aquisição, a companhia deixará de ter ações negociadas na bolsa, e se tornará de capital fechado. Mas ainda é possível que a vaca vá para o brejo, uma vez que o negócio ainda está sujeito a aprovações regulatórias. Por conta de todos os trâmites, a transação deve ser finalizada apenas no dia 24 de outubro, como anunciado pelo próprio Twitter. 

 

Maiores vendas de empresas de redes sociais na história.

 

  1. Twitter – US$ 44 bilhões (R$ 221.6 bilhões)
  2.  Whatsapp – US$ 22 bilhões (R$110.8 bilhões)
  3. Youtube – US$ 1,65 bilhão (R$ 8.3 bilhões)
  4. Instagram – US$ 1 bilhão (R$ 5 bilhões)

Valores apurados considerando a cotação do dólar comercial em 28  de abril de 2022.

 

Diante dos questionamentos sobre a compra do Twitter por uma pessoa poderosa como Musk, o bilionário afirmou que a compra da rede não está relacionada com o lucro, mas sim em criar o que chamou de uma “arena de livre discurso”. Recentemente ele questionou em uma série de tweets se a rede fazia o suficiente pela liberdade de expressão de seus usuários. 70,4% das respostas apontavam uma insatisfação com a rede, mas vale considerar que ela foi respondida em sua maioria por pessoas que seguem Musk. 

 

O empresário promete algumas mudanças em relação a isso, como verificar (processo que garante a veracidade da conta com um selinho de autenticação) todos os usuários humanos e abrir o código fonte (a programação interna do Twitter) para que os mecanismos de operação sejam conhecidos e explorados por programadores.

O que pensa o público que é contra?

A Anistia Internacional emitiu uma nota mostrando preocupação: “A última coisa que precisamos é de um Twitter que feche os olhos para discursos violentos e abusivos contra usuários, particularmente aqueles mais impactados, incluindo mulheres, pessoas não-binárias e outros.” afirmou Michael Kleinman, diretor de tecnologia e direitos humanos da instituição.

Perfis de ativistas também mostraram preocupação e trouxeram exemplos de como as empresas de Musk já permitem racismo e discursos de ódio contra os seus funcionários.

Famoso também por suas polêmicas, Muks foi eleito pela revista “Time” como a “Personalidade do Ano” em 2021, prêmio que rendeu discussão, e neste mês, ultrapassou Jeff Bezos, dono da Amazon, na lista de bilionários da “Forbes”. 

 

Nos resta esperar para ver o futuro da plataforma, uma das mais importantes do mundo e que serve como um termômetro para a análise da política mundial, entre outras discussões fundamentais, e que agora estará nas mãos do homem mais poderoso do mundo.

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