Especial Semana da Mulher com Sthefany Castro

9 de março de 2021
Por Bia Santos

O Sobre Nós deste mês traz a Sthefany Castro (Sucesso & Engajamento) para uma conversa especial na Semana da Mulher, confira abaixo!

Sthefany, conta para a gente, como foi sua trajetória de vida até o momento?

Sempre fui uma pessoa muito criativa e sem medo de colocar a mão na massa. Estas características, somadas ao fato de nem sempre ter todo o recurso financeiro disponível para tudo que eu precisava ter ou quisesse conquistar, me impulsionou a ser uma pessoa empreendedora, comunicativa e me fizeram crescer muito como pessoa. Não posso deixar de ressaltar que elas também foram desenvolvidas através de um exemplo dentro de casa. O fato de ter minha mãe como arrimo da família, dando a volta por cima em todos os perrengues, me mostrou que nada acontece se nós ficarmos sentados esperando cair do céu.

Hoje, consigo enxergar claramente como minha trajetória profissional começou bem antes de eu ter minha primeira carteira assinada; pois, desde cedo, para participar de festas, ir a passeios da escola, ter o dinheirinho do lanche e até pagar a minha faculdade, acabei vendendo de pulseiras de miçanga (aquela da época da novela da jade, rs) à roupas e doces. Uma vez que pude enxergar o dinheiro como um sinal de independência, eu nunca mais parei de dar os meus jeitinhos.

Mas uma das primeiras viradas importantes na minha foi quando eu comecei a estudar o segundo grau concomitante com o Técnico de Produção Cultural e Eventos, na FAETEC Adolpho Bloch, em São Cristóvão. Antes, eu estudava desde o C.A. no mesmo colégio, ele ficava no bairro ao lado do meu, então imagina você viver em uma certa bolha durante 14 anos e de repente ela estoura – foi isso que aconteceu. Eu tinha que ir estudar bem mais distante de onde morava, aprendendo a andar pela cidade, fazendo novas amizades e resolvendo meus paranauê. No começo foi uma loucura, mas de fato foi a melhor coisa que me aconteceu!

 

Foram nestes 3 anos que, por necessidade, me tornei super comunicativa, mais independente, atenta às pessoas e oportunidades. Lá, tive experiências únicas, produzi vários eventos, participei do grêmio, fiz amigos para vida toda, passei perrengue, e por conseguir fazer um bom trabalho de produção na companhia de dança da escola, consegui estágio não só para mim, mas também para outros 3 amigos. Este estágio, que foi no Centro Coreográfico da Cidade do RJ, me rendeu muitos frutos, muitos ensinamentos, network, o primeiro cachê e de lá não parei! Trabalhei nos principais centros de cultura do Rio de Janeiro e grandes empresas, como Centro de Referência da Música, Theatro Municipal, Animale e CIEDS – mas sempre fazendo algo em paralelo para ganhar uma grana extra. Antes de iniciar a faculdade de marketing, (na real eu queria fazer moda) cheguei a fazer estilo Julius – ter dois empregos haha, era difícil, eu corria de um para o outro, trabalhava 12h ou mais horas por dia, além de todo translado; mas tô vivíssima e essa verba é que me ajudou a ter a grana para começar a pagar a faculdade.

Durante essa caminhada cheguei a iniciar sociedade para abrir uma loja de roupas, participei de um programa de empreendedorismo, trabalhei com customização para camarotes de carnaval, me formei em técnica de consultoria de imagem. Tambémidealizei e produzi, junto a três amigas, uma feira chamada Mixtape, que veio da necessidade de dar visibilidade a todos os empreendedores, que, como nós, não tinham espaço. Pegamos nossa vontade de fazer, nossos amigos, família, network, e realizamos 3 edições, duas delas no Parque de Madureira. A feira foi um sucesso e atingiu seu objetivo, mobilizando mais de 50 negócios oriundos de todas as regiões da cidade, com mais de 5.000 pessoas que circularam em todas as edições, sendo veiculada na grande mídia.

A partir desse start, acabava sendo procurada para dar algumas consultorias e realizar algumas produções em negócios de amigos. Até que, em 2019, comecei a trabalhar na área de empreendedorismo do CIEDS. Lá, tive a oportunidade de trabalhar em programas como o Iniciativa Jovem e o Juventude Empreendedora, que fomentam o empreendedorismo jovem e transformam vidas por meio de impacto social.

Como foi se juntar ao time da Barkus recentemente?

Está sendo uma grata parceria. A Barkus já era uma empresa que eu admirava há bastante tempo. Fui aluna do curso Libertas, e já trabalhamos juntos nos projetos em que atuei. Tenho uma relação bem próxima com o Marden e a Bia há um tempo, então, entrar para empresa e poder ver, no dia-a-dia, o quanto o objetivo de democratizar o acesso à educação financeira é realizado com muita dedicação, responsabilidade e respeito, faz muito sentido com o que eu acredito; além de estar muito feliz em fazer parte de uma equipe tão diversa e unida.

Celebramos, nesta semana, a busca pela igualdade de gênero. Então, gostaria de entender como você vê seu papel como mulher no mercado de trabalho, como você se sente?

Durante minha trajetória, na grande maioria das vezes, eu era a única mulher negra ocupando aquele cargo. Outra coisa que acontecia muito comigo, além de ser a única negra, era que, na maioria das vezes, eu era a pessoa mais nova do time, e também a que morava no local mais longe e não elitizado – estes fatores faziam com que as pessoas me descredibilizassem facilmente.

Mas também, geralmente, eu era uma das que mais tinha disposição de trabalho. Antes, achava que esse fator era apenas uma qualidade, mas a verdade é que, para mostrar o meu valor, tenho que ser duas/três vezes melhor, mais paciente, mais bem vestida do que um homem ou uma mulher branca em ambientes elitistas – e olha que nem tenho filho, se não, o buraco fica mais embaixo.

Então, apesar de já ter passado por algumas situações veladas de racismo, machismo, entre outras, – situações que, para falar a verdade, no início da minha trajetória eu nem me dava conta. Achava que era comum a todos, e só agora, mais madura, que consigo entender o que sofri em relação a ser discriminada por vários motivos – acabo considerando que foram coisas que me deixaram mais cascuda, não mais forte – afinal feridas não nos fortalecem; o que nos fortalece, é nos cuidar, cuidar da saúde mental, fortalecer a auto estima, tratar das suas limitações e buscar ter mais conhecimento. Claro, foram coisas que me prejudicaram de alguma maneira, e tive que levar como lição na tentativa de não deixar as mesmas me prejudicarem novamente.

Precisei desenvolver inteligência emocional para me manter no jogo. Foi utilizando dela que conseguia transitar, desde de lugares que sou bem-vinda, para os que nem tanto. Uma atitude importante que faço questão de desenvolver, nesse nosso movimento por igualdade, é sempre me colocar no papel de fortalecimento, em todos os ambientes que transito. Procuro levantar outras mulheres, em todos os sentidos, pois nem sempre nos sentimos capazes; mas se temos uma rede de apoio, conseguimos avançar mais rápido e de forma eficiente.

Que conselho você deixaria para as meninas de hoje, sobre como elas devem encarar os desafios de ser mulher em nossa sociedade?

Ser mulher é entender que a sociedade nos desmerece desde que nascemos. Nossa criatividade, força e talento não são incentivadas, nos são impostos padrões de beleza, de carreira e metas de vida limitadas.  

Ser mulher é mais que desafiador, é acreditar que pode ser tudo o que deseja – mesmo sendo uma teoria clichê, ela se torna importante.  Se você esperar o incentivo de alguém para dar o primeiro passo, pode acabar esperando a vida toda – então, não viva pelas expectativas de outros, mesmo que estes outros sejam pessoas de seu ciclo de confiança, e nem pelas aparências perfeitas das redes sociais. Tente viver a vida real da melhor maneira possível, faça terapia – seja lá o que você entende como terapia; pode ser sua fé, prática de esportes ou qualquer outra coisa que te ajude a viver bem e tratar sua saúde mental – estude para alcançar o que julga ser sua melhor versão, seja o seu padrão de beleza e aceite seu corpo o mais cedo possível. Não construa rivalidade entre outras mulheres, e sim, empatia, e nunca duvide da sua capacidade, inteligência e intuição.

 

A vida real pode ser dura, mas você pode amolecê-la – escolha viver com leveza.

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